Enxertia aumenta qualidade e produtividade de hortaliças

A parte superior da planta a ser enxertada deve ser afinada no formato de cunha para ser encaixada no porta-enxerto (Fotos: Rafael Cantú/Epagri)

A enxertia é uma prática amplamente utilizada para a fruticultura em Santa Catarina. Agora a Estação Experimental da Epagri em Itajaí (EEI) vem trabalhando para aprimorar e divulgar essa tecnologia para a produção de hortaliças.

Rafael Ricardo Cantú, pesquisador da EEI, explica que as principais indicações da enxertia para hortaliças são proteger as mudas de tomateiro e pimentão, sobretudo contra doenças do solo. Ela também é indicada para aumentar a produtividade e o desenvolvimento do pepineiro japonês e das plantas de melancia em épocas mais frias. Além disso, a enxertia no pepineiro japonês melhora a qualidade do fruto, conferindo-lhe aspecto brilhante. A tecnologia pode ser usada para cultivo em abrigo ou ao ar livre.

A Epagri já está trabalhando para disponibilizar ao mercado mudas porta-enxerto de hortaliças, mas enquanto isso não acontece elas devem ser adquiridas em casas agropecuárias. Do porta-enxerto deve ser retirada a parte superior, das folhas, com a ajuda de uma lâmina de barbear, estilete ou outro material que tenha corte fino e preciso. A porção retirada pode ser dispensada. A planta que é o porta-enxerto ficará então apenas com as raízes e a parte inicial do caule. É nesse caule que será enxertada a planta que efetivamente se quer cultivar. Usando a mesma lâmina de fino corte, o agricultor deve fazer uma fenda no caule do porta-enxerto. Trata-se de um corte feito ao longo do caule, com profundidade em torno de 1 a 1,5cm, o suficiente para inserir a planta a ser enxertada.

O próximo passo é inserir a planta comercial no porta-enxerto. Deve-se usar a parte superior (um pedaço do caule e as folhas) da planta a ser enxertada. A ponta desse caule deve ser afinada no formato de cunha com a lâmina de corte, para ser encaixada na fenda feita no porta-enxerto, onde será fixada com um clipe de pressão adequado. Esse clipe pode ser adquirido em casas agropecuárias. Ao lado da planta já enxertada deve ser fixado, no substrato, um palito de churrasco, para dar sustentação.

Depois de ficar de cinco a seis dias na câmara úmida, a muda enxertada pode ir para a horta

A planta enxertada ainda não está pronta para ir ao solo. Ela deve ser transferida para uma câmara úmida, que é uma caixa com estrutura de madeira revestida com plástico. O ambiente dentro dessa caixa deve permanecer com umidade do ar próxima a 100%. Para chegar a esse nível, a recomendação é que se forre o fundo da caixa com jornal encharcado com água. Também é necessário molhar as paredes da câmara.

É decisivo que a temperatura dentro da câmara não ultrapasse 35oC. Por isso, quando a temperatura na caixa estiver alta, deve-se abrir a porta, para fazer a troca de ar, molhando depois o jornal no fundo, as paredes e as mudas. As mudas devem ficar entre 5 e 6 dias dentro da câmara. A partir do quarto dia, deve-se abrir a porta durante a noite e fechar no início da manhã para as mudas irem se aclimatando. Depois é só transferir as mudas enxertadas para a horta. Seguindo esse passo a passo o agricultor terá uma horta mais produtiva e resistente às eventuais doenças presentes no solo.

“As plantas porta-enxerto, apesar de serem mais resistentes e produtivas, não produzem frutos saborosos e bem aceitos pelo mercado. Por isso, elas devem ser usadas como suporte para outras variedades que são aceitas pelo consumidor devido a seu gosto e aparência”, explica Cantú.

Quem quiser mais informações sobre enxertia de hortaliças pode procurar por Cantú na EEI: rrcantu@epagri.sc.gov.br.

(Publicado em Vol. 29, nº1, jan./abr. 2016)