Epagri usa milho para desenvolver macarrão sem glúten

O macarrão de milho tem cor intensa e sabor peculiar, semelhante ao da polenta (Fotos: Aires Mariga/Epagri)

Cada vez mais pessoas se descobrem portadoras de doença celíaca ou manifestam reações alérgicas ao glúten, uma proteína presente em muitos cereais, como trigo, cevada, aveia e centeio. Foi pensando nesse público que o técnico em agropecuária e extensionista rural da Epagri José Nicolau Fernandes desenvolveu um macarrão que substituísse a farinha de trigo pela de milho.

Em parceria com a agricultora Rita Maria Zanellato Comin, de Siderópolis, ele desenvolveu dois tipos de macarrão, um integral e um convencional, ambos sem glúten. Os dois são feitos com farinha de variedades de milho desenvolvidas pela Epagri: o Catarina e o Colorado.

Como o próprio nome indica, o milho Colorado tem grãos vermelhos. Com ele, Rita produziu macarrão sem glúten integral, com massa leve para o consumo e bela cor avermelhada. Com a farinha do milho Catarina a agricultora desenvolveu macarrão convencional isento de glúten.

Rita, que já é produtora de macarrão feito a partir de farinha de trigo, desenvolveu as receitas após um mês de testes. Segundo Nicolau, foi preciso testar 22 tipos de milho para produzir o alimento. As duas variedades da Epagri apresentaram os melhores resultados.

A agricultora conta que a massa tem confecção simples e pode ser vendida congelada ou desidratada. “Os produtos ficaram com leve sabor de milho, que lembra ligeiramente a polenta, mas que pode ser disfarçado com um molho de tempero caprichado”, descreve.

Massa pode ser vendida congelada ou desidratada

Rita já está comercializando diretamente em sua propriedade cerca de 100kg dos dois tipos de macarrão por mês, com a marca Rizacó. A inovação foi lançada na feira Agroponte, realizada em agosto de 2015 em Criciúma, e o resultado foi surpreendente. Foram servidos 50kg dos produtos para degustação e somente dois pratos sofreram rejeição.

A repercussão na Agroponte foi tão interessante que até o prefeito de Siderópolis, Helio Roberto Cesa, se empolgou com ideia e já planeja “transformar o município na capital nacional do produto”, revela Nicolau. Para tanto, foi marcada para maio de 2016 a primeira festa estadual do macarrão de milho, que será realizada em parceria pelo Escritório Municipal da Epagri, a prefeitura local e o Conselho de Assuntos Econômicos Paroquiais (Caep) de São Martinho Alto.

A partir de março o alimento será distribuído em maior escala, já que passará a ser servido na merenda das escolas municipais da região. Nicolau também já incluiu no planejamento de 2016 a divulgação da tecnologia em unidades da Epagri do Planalto Norte, de Ponte Serrada e de Anchieta.

Além de atender a demanda do mercado, os macarrões da Rita também colaboram na divulgação das duas variedades de milho desenvolvidas pela Epagri. A produção só não é maior por falta de matéria-prima, lamenta Nicolau, que trabalha para incentivar o cultivo das duas variedades no sul do Estado. Em agosto de 2015 pelo menos 14 produtores do município de Praia Grande solicitaram sementes das variedades de milho de polinização aberta desenvolvidas pela Epagri para cultivo. As plantas devem estar prontas para ser colhidas a partir de março de 2016.

A saca de 10kg do milho Colorado custa R$50,00 e é suficiente para plantar uma área de 0,5ha. De acordo com o extensionista Thiago Koscrevic, do Escritório Municipal da Epagri de Praia Grande, o investimento é praticamente a metade do valor gasto com sementes híbridas. No caso das sementes transgênicas, o investimento alcança cerca de R$250,00 por hectare. “Além de ter sementes mais baratas, as variedades de polinização aberta da Epagri têm custo de produção menor. O agricultor gasta menos com adubo e outros insumos”, acrescenta.

(Publicado em Vol. 29, nº1, jan./abr. 2016)

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