Pera SCS421 Carolina é a primeira tipo japonesa do Brasil

Frutos suculentos, doces, crocantes e com leve sabor aromático devem agradar o mercado (Foto: EECd/Epagri)

Os produtores de pera japonesa do Sul do Brasil, que até então usavam variedades importadas, agora têm à disposição um cultivar desenvolvido em Santa Catarina. A pera SCS421 Carolina, lançada pela Epagri/Estação Experimental de Caçador, é a primeira do tipo japonesa lançada no País. “Os frutos são muito suculentos, doces, crocantes, macios e com leve sabor aromático. Essa última característica diferencia esse cultivar em relação aos outros de pereira japonesa”, destaca o pesquisador Ivan Dagoberto Faoro.

O lançamento é resultado de 18 anos de trabalho de melhoramento genético na Epagri de Caçador. Em 1998, foi feito o cruzamento entre os cultivares japoneses Kosui e Osanijisseiki, gerando 177 plantas, das quais 77 foram selecionadas. Em 2003 restaram seis plantas e, a partir de 2011, em função da qualidade dos frutos, foi escolhida uma, registrada como SCS421 Carolina.

De acordo com Ivan, os principais cultivares de pereira desse tipo foram originados em regiões mais frias e com temperaturas mais estáveis que as do Sul do Brasil. Quando são cultivados aqui, eles manifestam uma série de distúrbios fisiológicos, resultando em problemas no desenvolvimento das plantas. “Em muitos casos, não apresentam resistência às principais doenças aqui existentes, como a entomosporiose, a seca dos ramos e a sarna”, explica o pesquisador. As consequências são produtividade menor, frutos de baixa qualidade e maior aplicação de agrotóxicos para controlar doenças e pragas.

A pereira SCS421 Carolina tem boa adaptação ao clima do Sul do Brasil e pode ser cultivada em regiões com mais de 550 horas de frio abaixo de 7,2°C. A colheita ocorre na primeira quinzena de fevereiro, com produção média de 20t/ha. “Observações em campo, até o momento, não detectaram a incidência de sarna, mas observamos que ela é moderadamente resistente à entomosporiose e à seca dos ramos”, conta o pesquisador. Os frutos têm excelente aparência comercial: tamanho médio, formato mais arredondado e película dourada quando ensacados durante o crescimento.

O cultivar está registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), mas, por opção da Epagri, não foi incluído no Serviço Nacional de Proteção de Cultivares. Por isso, pode ser multiplicado livremente desde que seja respeitado o seu nome comercial.

A pera SCS421 Carolina está sendo multiplicada por produtores, viveiristas e pesquisadores. As primeiras colheitas comerciais devem ocorrer em quatro a cinco anos. Para obter segmentos de ramos, basta entrar em contato com o pesquisador Ivan Dagoberto Faoro pelo e-mail faoro@epagri.sc.gov.br ou pelo telefone (49)3561-6835.

ESTÍMULO PARA CRESCER

A produção de pera ainda é tímida em Santa Catarina: são 85 produtores concentrados, principalmente, no Planalto Sul e no Planalto Norte, de acordo com o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa/Epagri). Em 2014/2015, foram colhidas 6,5 mil toneladas da fruta em 392ha. “O Brasil importa cerca de 85% da pera que consumimos. Compramos principalmente da Argentina, e também do Chile, dos EUA e de Portugal”, diz Ivan Faoro.

O novo cultivar da Epagri é um incentivo para os fruticultores catarinenses investirem na pera. “Temos tecnologia e áreas com frio suficiente para a cultura, principalmente nas regiões de São Joaquim e Fraiburgo”, destaca Ivan. Além disso, a pera japonesa remunera melhor que a europeia, ainda predominante nos cultivos do Estado. “A pereira do tipo japonesa talvez represente 5% da produção catarinense, pois é uma fruta de nicho e, por isso, de alto valor”, explica. Enquanto o quilo da pera europeia rende, em média, R$1,60 para o produtor, a japonesa é vendida a aproximadamente R$3,00 o quilo.

(Publicado em Vol. 30, nº1, jan./abr. 2017)

 

 

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