Sistemas da Epagri viram modelo de agricultura sustentável em plataforma da FAO/ONU

Cobertura permanente do solo é um dos princípios do SPDH (Foto: Carlos Koerich/Epagri)

O Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH) e a produção de morangos em sistema semi-hidropônico suspenso são as duas tecnologias da Epagri incluídas recentemente na Plataforma de Boas Práticas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU). A plataforma é um espaço de disseminação e compartilhamento de boas iniciativas replicáveis desenvolvidas na Região Sul do Brasil e já conta com nove tecnologias da Epagri descritas.

O SPDH se baseia na redução dos custos sociais, econômicos e ambientais das lavouras e no estímulo ao protagonismo dos agricultores. Tem como objetivo central a transição da agricultura convencional para a agricultura agroecológica, respeitando três elementos básicos: o revolvimento localizado do solo, a diversificação de espécies pela rotação de culturas e a cobertura permanente do solo.

As primeiras experiências em SPDH foram realizadas em 1998, na Estação Experimental de Caçador (Epagri/EECd). Atualmente o sistema é utilizado em mais de 3 mil hectares espalhados por todas as regiões do território catarinense. São mais de 1,2 mil agricultores que utilizam o plantio direto para produzir principalmente tomate, cebola, chuchu, brássicas (couve, repolho e brócolis), melancia e moranga.

A rápida disseminação e aceitação da tecnologia deve-se sobretudo aos bons resultados alcançados. O SPDH proporciona melhoria na qualidade e na uniformidade das plantas, com diminuição média de 35% nas perdas por questões de padrão de qualidade e produção.  Reduz, ou até pode zerar, o uso de insumos e, consequentemente, o custo das hortas.

Outra grande vantagem do SPDH é a sua sustentabilidade. O uso da palhada protege e enriquece a terra cultivada. As taxas de infiltração de água no solo cultivado em SPDH chegam a ser três vezes maiores que no sistema convencional, eliminando problemas com erosão e melhorando a disponibilidade de água para as plantas, o que leva, entre outros resultados, à redução média de 80% no uso de água para irrigação. Os alimentos produzidos no sistema são mais limpos, pois podem ser cultivados com pouco ou até nenhum agrotóxico.

Morangos suspensos

A produção de morangos em sistema semi-hidropônico suspenso tem várias vantagens, como a melhor utilização do espaço na pequena propriedade com bons resultados econômicos, a adaptação à realidade da mão de obra disponível na propriedade e a produção em períodos diferenciados das épocas tradicionais. Outro grande diferencial é a produção de morangos com maior qualidade e menor risco de contaminação.

A prática tem boa produtividade e rápido retorno econômico. Cada R$1,00 empregado na atividade dá retorno de R$1,04 no primeiro ano e R$3,44 no segundo. A produtividade, considerada boa, fica na média de 1kg por planta/ciclo.

O sistema também se destaca pelo uso criterioso e menos intenso de insumos químicos, o que resulta na obtenção de morangos limpos e de qualidade.

Conheça a plataforma da FAO: http://boaspraticas.org.br.

(Publicado em Vol. 30, nº3, set./dez. 2017)