Pesquisas com pastagens avançam na Estação Experimental de Lages

Pesquisas indicam que pecuária de corte pode ser mais produtiva em Santa Catarina (Foto: Arquivo/Epagri)

A contratação de novos pesquisadores permitiu à Epagri acelerar pesquisas para desenvolvimento de plantas forrageiras melhoradas geneticamente, que seguiam em ritmo mais lento desde a década de 1990. Os estudos estão sendo conduzidos pela Estação Experimental da Epagri em Lages (EEL) e o objetivo é lançar em breve cultivares de pastagens mais produtivos e com maior adaptação aos solos e climas regionais.

Nesta fase, a Epagri está trabalhando para melhorar as características dos cultivares de azevém-anual, festuca, capim-lanudo, cevadilha-serrana, lótus-serrano e trevo-branco.

“Essas melhorias podem ser feitas sem aumento dos custos de semente para o agricultor familiar e sem a necessidade de maior gerenciamento ou gastos com insumos”, explica Dediel Rocha, um dos novos pesquisadores da EEL dedicados à atividade de melhoramento genético de pastagens.

A pesquisa em melhoramento genético de plantas forrageiras é essencial para o desenvolvimento de cultivares adaptados aos mais diversos ambientes. O programa de melhoramento genético de forrageiras da Epagri teve início na década de 1970 e já lançou 16 cultivares de diferentes espécies.

Produtividade

Outro estudo, desenvolvido sob coordenação da pesquisadora Vanessa Ruiz Favaro, demonstrou que existem cultivares de azevém-anual que podem ser até dez vezes mais produtivos quando utilizados no regime de manejo recomendado pela Epagri. A Epagri indica o uso de piquetes para subdivisão de pastagens e outras práticas de manejos que aumentam a produtividade, rentabilidade e sustentabilidade dos sistemas pecuários.

A equipe testou o cultivar de azevém-anual tetraploide Winter Star por dois anos. “Nesse período, obteve-se um rendimento em torno de dez vezes maior que a produtividade alcançada em regime de pecuária extensiva, o que demonstra que, com uso de tecnologia e manejo correto da pastagem, a bovinocultura de corte tem potencial para grandes avanços de produtividade, tornando-se competitiva com outras atividades, além de enfrentar riscos menores de produção e mercado”, avalia a pesquisadora Vanessa.

No primeiro ano, a lotação média foi 2,2 Unidade Animal por hectare (UA/ha). Cada UA equivale a um animal com 450kg. Naquele período foi registrado ganho de peso diário de 855g por cabeça, totalizando um ganho de peso vivo por hectare de 530,8kg ou 101kg/ha/mês. No ano seguinte a lotação média foi de 3,6 UA/ha, com ganho de peso diário de 906g/cabeça, totalizando um ganho de peso vivo por hectare de 666,4kg ou 131,5kg/ha/mês. Na média dos dois anos o ganho de peso vivo por hectare foi de 598,6kg e a lotação média de 2,9 unidades animais por hectare.

Vanessa lembra que o cultivar que produz esse impacto altamente positivo na produtividade está disponível no mercado e a tecnologia de manejo de pastagens pode ser facilmente adotada pelos produtores.  Ressalta ainda que existem no mercado outros cultivares de azevém-anual com os quais é possível obter resultado semelhante, especialmente tetraploides e de ciclo longo.

“Os estudos da Estação Experimental de Lages buscam orientar o pecuarista sobre qual tecnologia adotar para obter um retorno mais favorável. Em relação às sementes de pastagem, é comum que o produtor opte pela mais barata, mas essa nem sempre é a melhor opção em termos de custo-benefício”, explica Ulisses de Arruda Córdova, gerente da EEL. Ele esclarece que com base nos resultados das pesquisas da Epagri o agricultor pode tomar uma decisão mais acertada na hora de adquirir sementes de forrageiras.

(Publicado em Vol. 31, nº1, jan./abr. 2018)