SC Rural impulsiona agricultura familiar catarinense

Programa capacitou 1.802 jovens agricultores e pescadores, superando em 4% a meta (Foto: Aires Mariga/Epagri)

Entre os anos de 2010 e 2017 o Programa Santa Catarina Rural (SC Rural) investiu US$189 milhões no Estado. A Epagri, como uma das principais executoras do Programa, teve uma participação importante nesse resultado.

O SC Rural foi uma iniciativa do governo estadual com financiamento do Banco Mundial (BIRD), que investiu US$90 milhões na proposta. O restante foi oriundo de recursos orçamentários do Estado. Por meio das ações do programa, organizações rurais e agricultores familiares foram estimulados a melhorar seus negócios.

Entre as diversas instituições envolvidas na execução da SC Rural, a Epagri foi a que manteve um contato mais direto com os agricultores, realizando capacitações, desenvolvendo projetos e pesquisas e preparando esse público para colher os melhores resultados possíveis da iniciativa.

Entre 2010 e 2017, a Epagri capacitou 98 mil famílias por meio do programa. Foram fortalecidas 259 redes de cooperação ou cooperativas. Nesse período, a Empresa implantou 1.685 Unidades de Referência Técnica (URTs). Essas unidades são propriedades de agricultores, escolhidas pelos profissionais da Epagri para implantação de novas tecnologias. Depois de estarem atuando dentro dos parâmetros técnicos esperados, as URTs passam a ser usadas como modelo para difusão de tecnologias entre produtores rurais da região.

Competitividade

O Programa SC Rural teve como foco aumentar a competitividade das organizações dos agricultores familiares de Santa Catarina e contou com duas formas principais de benefícios financeiros aos agricultores e seus empreendimentos. “Uma delas através de projetos estruturantes, incluindo investimentos coletivos necessários apontados pelas organizações, visando à solução dos problemas e buscando atingir o objetivo central do projeto em melhorar a competitividade e a inserção dos agricultores e suas organizações no mercado. Esse apoio incluía melhoria de empreendimentos rurais, construção ou recuperação de estradas, fortalecimento da organização e estrutura das cooperativas, implantação de conexão de internet, entre outros” explica a Gerente do Departamento da Extensão da Epagri, Edilene Steinwandter. Foram 723 empreendimentos adequados ou melhorados.

Além desses empreendimentos, mais 59 mil famílias foram apoiadas financeiramente para melhorar a estrutura produtiva da propriedade. “Nesse aspecto entraram melhorias de estábulos, cercas e outras providências práticas que pudessem levar a um incremento de produção”, esclarece Edilene.

O trabalho com jovens foi outro ponto forte do SC Rural. A Epagri capacitou no período 1.802 jovens, superando em 4% a meta proposta. Foram 55 cursos, dois encontros estaduais e quatro macrorregionais, com 2.285 jovens apoiados com kits informática que incluíam notebooks e impressoras para uso na gestão dos negócios.

Graças ao SC Rural, a Epagri pode atender 1.437 escolas com educação ambiental e realizar 1.320 oficinas sobre o tema com alunos e professores. Ainda foram realizadas 11 edições do Prêmio Epagri Escola Ecologia, envolvendo 141 unidades de ensino.

No período de execução do SC Rural também foi traçada uma estratégia pioneira dentro de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), com efetivação de dois corredores ecológicos no Estado. Os proprietários rurais, responsáveis pela manutenção de áreas naturais conservadas ou em recuperação, recebem uma remuneração anual como pagamento pelo serviço prestado. No total, entre corredores ecológicos e PSA, foram contratadas áreas de 281 famílias, que compreendem 1,6 mil hectares preservados.

O programa também atendeu comunidades indígenas com o Plano de Desenvolvimento da Terra Indígena. Foram atendidos 1.960 indígenas de diversas etnias e desenvolvidos oito projetos estruturantes, que beneficiaram 411 famílias com investimento de R$1,5 milhão. O trabalho com esse grupo resultou ainda em sete publicações e um vídeo.

O programa deu apoio ainda à pesquisa da Epagri, financiando 37 projetos, 16 dos quais utilizaram a metodologia participativa.

(Publicado em Vol. 31, nº1, jan./abr. 2018)