Previsão de maré está mais precisa em Santa Catarina

Estudo beneficia atividades como navegação, pesca e maricultura (Foto: Aires Mariga/Epagri)

Com o objetivo de uniformizar e refinar a previsão da altura das marés para Santa Catarina, a equipe de monitoramento costeiro da Epagri/Ciram recalculou as tábuas de marés para dez pontos do litoral catarinense. Agora, cada um dos pontos monitorados pela Epagri/Ciram tem sua própria tábua de maré, com informações mais detalhadas do que as oferecidas pela tábua da Marinha.

Matias Boll, pesquisador da Epagri/Ciram, explica que em janeiro de 2019 foram compilados dados de maré medidos entre 2017 e 2018, com frequência de amostragem de 15 minutos, totalizando 70.080 leituras por estação maregráfica. Com auxílio do software Pacmare 2003, foram extraídas para cada ponto as constantes harmônicas que caracterizam a influência astronômica sobre o nível do mar. Finalmente, a maré astronômica (previsão) foi recalculada para cada ponto para um período de 19 anos, com frequência amostral de 15 minutos, o que representa cerca de 666.240 valores por estação.

O resultado de todo esse trabalho pode ser visto no site da Epagri/Ciram, dentro do link Litoral On Line. Clicando em qualquer uma das estações maregráficas que aparecem no site, o usuário pode verificar a maré prevista de acordo com os novos cálculos (linha azul) e a maré observada de fato (linha vermelha). A previsão de maré astronômica tornou-se bastante precisa, o que deve fazer com que, em condições ideais de tempo, a linha vermelha do gráfico acompanhe quase fielmente o previsto na linha azul. Só a presença de vento ou de outras variáveis meteorológicas que influenciam a maré pode fazer a condição observada se afastar da prevista, esclarece Matias.

“O recálculo vai permitir uma melhor previsibilidade do comportamento das marés, aumentando a segurança para usuários envolvidos em operações de navegação, pesca artesanal e maricultura, além de oferecer outras utilidades”, informa o pesquisador. Ele destaca que as atividades de praticagem (entrada e saída de navios) dos portos catarinenses serão especialmente beneficiadas por esse trabalho.

(Publicado em Vol. 32, nº2, mai./ago. 2019)